Agricultor de Piacatu investe na agricultura orgânica


Área de três alqueires serve como centro de experimento para produzir sem agrotóxicos

30/06/2018 18:52 - Atualizado em 12/02/2019 18:58 | Por: Otávio Manhani

Otávio Manhani/Jornal Comunicativo

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Lavoura de pimentão orgânico é irrigada pelo sistema de gotejamento

A agricultura orgânica tem sido a aposta do agricultor Aparecido Brambilla, de Piacatu. A ideia, que surgiu neste ano, foi colocada em prática em uma área arrendada de três alqueires, que fica próxima da cidade.

No local foi plantado abóbora, alface, banana nanica, batata-doce de cinco variedades, berinjela, pepino, pimentão e tomate. Só de pimentão são 40 mil mudas, as quais já estão produzindo. A lavoura é irrigada no sistema de gotejamento.

Brambilla considera a área como um centro de experimento para produzir alimentos sem agrotóxicos e evitar desperdício de água durante a produção. Para ele, a produção de alimentos orgânicos é outro nível.

O agricultor utiliza material orgânico nas lavouras. Ao invés da Prefeitura descartar galhos de árvores, folhas e gramas que são cortadas na cidade, todo esse material é levado até a área onde Brambilla produz alimentos sem agrotóxicos.

Lá, são depositados entre as lavouras, fazendo com que a terra permaneça úmida por mais tempo. Com este sistema, Brambilla diz que basta irrigar as plantações uma vez ao dia.

“Em lavouras convencionais, onde utilizávamos agrotóxicos, a plantação precisava ser irrigada ao menos três vezes ao dia”, frisa o agricultor. Ele explica que o mato e os materiais orgânicos entre as lavouras evitam o surgimento de insetos que geralmente atacam as plantas.

“Até então, acreditávamos que para produzir era necessário primeiramente limpar a área e que, sem agrotóxicos, seria praticamente improvável obter uma produção de qualidade. Porém, notamos que ocorre o contrário com a agricultura orgânica”, ressalta Brambilla.

O agricultor menciona que o mato e os materiais orgânicos que ficam entre as lavouras fazem com que os insetos não ataquem as plantações. “Percebemos que onde a área está limpa, os insetos atacam as plantas que estão produzindo. Já onde há matéria orgânica, a produção não é prejudicada com pragas”, relata.

No local há também criação de porcos e galinhas. Com os dejetos destes animais é feita a decantação e o material é espalhado nas lavouras.

BAG

Para obter maior quantidade possível de materiais orgânicos, Bambilla instalou bags em alguns pontos do município. A proposta é que os moradores depositem as folhas que caem das árvores neste recipiente ao invés de colocarem junto do lixo doméstico.

Por ser uma cidade bem arborizada, a iniciativa prevê uma redução, mesmo que gradativa, de material orgânico que normalmente acaba tendo como destino o aterro sanitário, que, inclusive, está com os dias contados.

Pelo fato de estar em fase de teste, a produção não está sendo comercializada. Por se tratar de produtos orgânicos, o agricultor busca junto aos órgãos competentes o certificado que garante que os produtos são, de fato, orgânicos.

AGRICULTURA ORGÂNICA

O termo agricultura orgânica foi desenvolvido pelo inglês Sir Albert Howad, entre os anos de 1925 e 1930. No entanto, essa modalidade da agricultura ganhou força somente na década de 1960.

Trata-se de um modelo de produção caracterizado por não utilizar fertilizantes sintéticos, agrotóxicos, sementes modificadas, reguladores de crescimento animal e intensa mecanização das atividades, visando a reduzir os impactos ambientais, além de cultivar produtos alimentícios mais saudáveis.

A prática da agricultura orgânica baseia-se no uso de estercos animais, rotação de culturas, adubação verde, controle biológico de pragas e doenças, utilização de energias renováveis e eliminação do uso de organismos geneticamente modificados em qualquer etapa do processo produtivo.