Prefeitura de Piacatu realiza limpeza das copas das palmeiras imperiais


Ação teve por objetivo evitar a proliferação do bicho-barbeiro, transmissor da doença de Chagas

08/07/2020 15:10 - Atualizado em 02/08/2020 11:55 | Por: Otávio Manhani

Divulgação/Prefeitura de Piacatu

Com auxílio de guindaste, homens limpam copa das palmeiras

O Departamento de Vigilância em Saúde de Piacatu realizou entre os dias 2 e 3 de julho a limpeza e borrifação das copas das palmeiras imperiais localizadas nas avenidas Dr. José Benetti e Tiradentes, além da Rua Domingos Vidal. É a segunda vez que esta ação é feita no município.

A coordenadora de Vigilância em Saúde de Piacatu, Tamiris Fagundes Rodrigues, explica que este trabalho teve por objetivo retirar o material que a própria palmeira imperial produz durante o ano, o qual serve de abrigo para o inseto triatomíneo, mais conhecido como bicho-barbeiro.

"A limpeza e poda das palmeiras imperiais dificulta a formação de colônias do bicho-barbeiro. Já a borrifação é necessária para eliminação os insetos que por ventura restarem entre as copas das árvores", ressalta Tamiris. Para a realização deste trabalho, a Prefeitura alugou um caminhão com guindaste, que ficou disponível durante 14 horas. O aluguel custou R$ 1.680,00.

A ação de combate ao bicho-barbeiro contou com a colaboração de 13 profissionais da área de Saúde de Piacatu, sendo: agentes comunitários de saúde, agentes de combate de endemias e do Almoxarifado Municipal. O grupo esteve sob a supervisão e orientação da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) de Araçatuba.

ANÁLISE EM LABORATÓRIO

De acordo com a coordenadora de Vigilância em Saúde de Piacatu, após a retirada do material orgânico da copa das palmeiras, uma equipe de pesquisa examinou este material e separou os insetos que foram encontrados. Posteriormente, os insetos foram encaminhados para análise.

Esta análise, segundo Tamiris, é feita em um laboratório da Sucen, que fica na cidade de Mogi Guaçu (SP), o qual é referência para doença de Chagas. "Lá verifica se o bicho-barbeiro está contaminado com o protozoário parasita Trypanosoma cruzi, que é o transmissor da doença de Chagas", ressalta.

A coordenadora frisa que esta atividade de prevenção deve ser feita anualmente, pois, no decorrer do ano, a própria palmeira imperial produz este material orgânico e os pássaros também levam outros materiais para formar ninho.

"É um local bem propício, pois, tem o abrigo para o bicho-barbeiro e a fonte alimentar dele, que é o pássaro que está no local. Se por acaso algum morador encontrar o bicho-barbeiro ou inseto semelhante a ele, pedimos que entre em contato conosco para que possamos encaminhar para análise", complementa Tamiris.

PESSOAS INFECTADAS

Conforme relata o médico e cientista Antonio Drauzio Varella, "a doença de Chagas não se transmite pela picada do barbeiro, e sim quando fezes contaminadas pelo Trypanosoma cruzi penetram no orifício da picada do inseto".

Segundo dados levantados pela Sucen, o bicho-barbeiro tem hábitos noturnos e vive nas frestas das casas de pau-a-pique, ninhos de pássaros, tocas de animais, casca de troncos de árvores e embaixo de pedras. A doença de Chagas pode ser leve, causando inchaço e febre, ou pode durar muito tempo. Se não for tratada, pode causar insuficiência cardíaca congestiva.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a estimativa é que haja atualmente mais de seis milhões de pessoas infectadas no mundo com a doença de Chagas. No Brasil, os dados são imprecisos, mas o Ministério da Saúde estima algo entre 1,9 milhão e 4,6 milhões de pessoas infectadas.